x + y = z

dezembro 30, 2009
Escrito em um dia de fúria.
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Eu sou uma engrenagem.
Faço parte de uma máquina que não para.
Sou o quociente de uma conta que, de tão grande, nunca termina.
Meus erros se transformam em prejuízos.
Meus acertos sao revertidos em lucros.
Mas minhas emoções são deixadas de lado.
As dificuldades, por prudencia, devem ser omitidas?
Lógico, são o primeiro indício de prejuízo iminente.
E quem quer prejuízo?
Já as virtudes, estas logo são engolidas pelas responsabilidades.
Vorazes responsabilidades.
Ao largo, passam: a vida, as pessoas, as mentes e os corações.
Produza!
Ganhe!
Faça!
Imperativos de uma linguagem de máquina.
Zero e um, um e zero. Positivo e negativo.
Sim e não.
Um dia, já desgastada, a engrenagem para.
Outra engrenagem é instalada.
Nova, brilhante. Pronta para iniciar.
Produza!
Ganhe!
Faça!
Não há desculpas. Apenas resultados.
Recife, 17 de Abril de 2008

Atrás, os sonhos.

novembro 24, 2009

Aquela não era uma família como as outras. Eles não carregavam sacolas e pareciam despreocupados com a hora.

Para os mais distraídos e apressados, apenas faziam parte da multidão. Já os mais observadores, reparavam suas roupas, suas maneiras e, principalmente, o tom de suas risadas. Era alto e não havia sutilezas.

Alguns desviavam o olhar, mas muitos apontavam para eles em um visível tom de desaprovação.

A família sequer notava o que acontecia ao redor. Eles apenas riam e, olhando uns aos outros, apontavam para a vitrine.

 

Aquela loja estava longe de ser a melhor do shopping. Mas sua localização talvez fosse; quase na entrada, perto das escadas de mármore. Na frente, duas fileiras de bancos costumavam abrigar casais de idosos, uns exaustos e outros relaxados folheando o jornal.

Apesar do movimento intenso, em dias normais, aquela vitrine não costumava atrair a atenção das pessoas. Mas naquele dia, atraiu a atenção daquela família.

 

Eram cinco pessoas.

Um parecia ser o pai. Ele estava mais atrás e olhava tanto a vitrine quanto a reação dos outros. E sorria animado.

A mulher devia ter entre 30 e 35 anos. Um lenço preto e branco na cabeça a fazia assumir o papel de mãe. E ela apontava insistentemente para algo no alto. Talvez um sapo de barro. E gritava, ria, gritava, ria, gritava.

Uma senhora de idade, também com lenço na cabeça, parecia ser a avó e sogra. Tudo o que se ouvia, entre os gritos e risos era: “Meu Deus, que coisa linda… Meu Deus, que coisa…”

Entre os outros dois, talvez os filhos do casal, se destacava uma pequena, com dois pitós. Ela pulava na mãe de um jeito tal, que parecia querer agarrá-la para ser seus olhos e ver algo no alto. Talvez fosse o mesmo sapo de barro. E a pequena, com dois pitós, entre um pulo e outro, chorava apenas uma lágrima. Uma lágrima. E berrava.

Mas em seu silêncio, no canto esquerdo, estava o garoto. Era a antítese da cena. Ele não piscava, apenas respirava pausadamente, observando um pequeno avião de lata. Ele não chorava, não ria, não apontava. Ele apenas olhava. E raramente piscava.

 

Mas aquela cena, tão barulhenta, se desfez em poucos segundos.

 

Dois homens de ternos escuros, olhares furtivos e diálogos monossilábicos, de repente apontavam para a saída enquanto aparavam levemente as costas do pai. Este não reagiu ou procurou argumentos. Apenas falou algumas palavras para a família que o seguiu, sem saber porque.

 

A cada passo que davam em direção a saída, o garoto e a menina com dois pitós, viam o avião e o sapo cada vez menores. Até que desapareceram, quando as portas se fecharam.

Eles sabiam que, pelo menos naquele dia, não veriam mais a vitrine. Só lhes restava o caminho de volta para casa.

A menina de pitó não tinha apenas uma lágrima; eram várias, embora já não berrasse mais. Mesmo assim, sua mãe tentava enxugá-las, sem muito sucesso.

No braço do pai, o garoto olhou inúmeras vezes na direção oposta ao caminho de volta. E se manteve em seu silêncio.

Mesmo com o embalo da caminhada, adormeceu com o queixo no ombro do pai. Por poucos instantes, voltou a sonhar com aquela vitrine e com os pequenos desejos que ali estavam.

Sonhou com a irmã, seus pitós e o sapo de barro. Sonhou com a alegria de seus pais e, finalmente, já no fim, sonhou com seu avião de lata. Ele parecia mais bonito, mais brilhante e mais colorido. Era maior, também. Tão grande que cabia dentro dele.

Mas ele acordou.

E ainda com o queixo no ombro do pai, olhou novamente para o caminho que havia ficado para trás. Não conseguia mais ver o shopping.

Então, mesmo acordado, fechou os olhos.

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IT

Recife, 27 de Abril de 2009.

Boas idéias não bastam? Parte 1. Foleo

novembro 24, 2009

Dia desses, arrumando as gavetas no escritório, encontrei alguns folders antigos.

Dois, em especial, me chamaram a atenção. Um era da Palm e apresentava o Foleo. O outro era da Motorola, sobre o lançamento MotoROKR E1.

Lendo as especificações, me questionei por que estes produtos, de certo modo inovadores, não deram certo.

Será que boas idéias, por si só, garantem o sucesso de um produto?

O Foleo, fabricado pela Palm, foi lançado em Maio de 2007. Confesso que sempre achei o nome muito bacana: Palm Foleo.

Quando o Foleo foi lançado, a Palm era uma das mais bem sucedidas fabricantes de smartphones e PDA’s do mundo. No Brasil, em especial, Palm virou sinônimo de haldhelds e PDAs, inclusive sendo utilizado pelos consumidores para denominar produtos de outros fabricantes.

Mas o que era o Palm Foleo?

Segundo a própria Palm no press release de seu lançamento, o Foleo era um  ”ultraportable smartphone companion laptop.

A idéia da Palm era que os usuários da família TREO (650, 680, etc) utilizassem o Foleo como um notebook constantemente sincronizado via bluetooth ao smartphone para armazenamento de informações, acesso a web, envio e recebimento de e-mails, etc.

Sem dúvida era uma ótima idéia. Mas será que os usuários se acostumariam a utilizar o Foleo? A carregar além de um smartphone, um notebook apenas para sincronizá-lo e editar planilhas eletrônicas? Qual seria o valor realmente percebido pelo usuário?

Foleo

O mais curioso: as especificações do Foleo eram, na época, muito boas:

— One-button access to full-screen email

— Instant on, instant off

— Rapid access to various applications

— 10-inch screen and full-size keyboard

— Web search and browsing via Bluetooth or Wi-Fi

— Editors for Word, Excel and PowerPoint, plus a PDF viewer

— Compact, stylish design that fits on an airline tray table

— Lightweight at 2.5 pounds

— Fast, simple and intuitive navigation

— 5-hour battery life

— Linux OS for easy application development

A verdade é que a vida do Foleo foi muito curta. Além do mercado e a mídia especializada terem ‘torcido o nariz’ para lançamento do Foleo, meses após constantes fracassos de vendas, a Palm o descontinuou, enterrando definitivamente o projeto.

Mas quais seriam as razões do fracasso do Foleo?

A própria Palm explicou em um pronunciamento de Ed Colligan, então CEO, decretando o fim do Foleo:

“In the course of the past several months, it has become clear that the right path for Palm is to offer a single, consistent user experience around this new platform design and a single focus for our platform development efforts. To that end, and after careful deliberation, I have decided to cancel the Foleo mobile companion product in its current configuration.”


Particularmente, acredito que um dos principais erros da Palm foi desenvolver um acessório (sim, objetivamente era um acessório caro!) que, não adicionava novas experiências de produto aos usuários.

Pensando bem, qual seria a utilidade de sincronizar contatos, calendários, planilhas localmente se já era possível, por exemplo, fazer isto utilizando o cabo USB com um notebook de verdade?

Outro ponto importante: Em 2007, os serviços de on line storage na web estavam se popularizando. Estes serviços, pouco tempo mais tarde evoluiram para os atuais sync over-the-air como o Mobile Me da Apple, Share on Ovi da Nokia e Google Mobile Sync.

Ou seja, o smartphone (Palm Treo), assim como seus sucessores, por si só, já eram capazes de oferecer ao usuário mais funcionalidades que o Foleo.

Tudo all in one e, principalmente, on line.

Curtas:

Na época, os sites especializados em gadgets noticiaram que, no projeto do Foleo, a Palm gastou mais de $10 milhões.

O Palm Foleo não chegou a ser comercializado no Brasil. Nos EUA, o Foleo custava aproximadamente  $499. Relativamente caro para os notebooks mais econômicos e funcionais na época.

Segundo analistas, o lançamento do Foleo marcou o início de um período de retração da Palm que culminou o abandono da plataforma Palm OS em 2009.

Recentemente, a Palm divulgou ao mercado o fim da utilização das plataformas Palm OS e Windows Mobile em seus smartphones. Por outro lado, informou que irá concentrar seus esforços na nova plataforma: Web OS

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IT

Recife, 23 de Novembro de 2009.

Presume-se.

novembro 21, 2009

Centro do Recife, 12h40.

Buzinas. Trânsito intenso.

- Seu guarda, tudo bem?

- Pois não, Senhor?

- Seu guarda, é o seguinte. Aconteceu uma coisa meio chata agora.

- Pois não. Posso ajudá-lo, Senhor?

Mais buzinas. Calor. Trânsito mais intenso.

- É que… (pausa).

- Diga, Senhor. O que foi?

- Eu ultrapassei o sinal vermelho! Me desculpe, seu guarda.

- Agora, Senhor?

- Sim, agora… não faz nem 5 minutos.

- Onde, Senhor? Foi aqui neste sinal?

- Não! Foi alí mais atrás. Tá vendo ali?

- Sei, sei. Mas o Senhor atropelou alguém?

- Eu!? Não! Deus me livre, seu Guarda!

- Bateu em algum carro?

- Não. Nem pense nisso…

- Mas o que o Senhor quer que eu faça? Eu cuido deste sinal aqui. O de lá é jurisdição de outro colega.

- Sei, sei… É que…

- Olhe Senhor, tá querendo que eu abone a multa é? Veja bem…

- Não, seu Guarda! Aí é que tá… Nem levei multa. Não tinha nenhum guarda no cruzamento.

Tira o boné e coça a cabeça.

- Vixe. Aquele alí não tem jeito. Devia estar tomando água de coco. Sim, mas e aí?

- É que eu sou um cidadão de bem, seu Guarda. Quero que o senhor me multe… a culpa foi minha. Distração, sabe?

- Multar? Mas como, se eu nem vi a infração? Pelo código brasileiro de trânsito…

- Olhe, seu Guarda, eu vim aqui confessar para o senhor.

- Senhor, eu não vi a infração e não vou multá-lo, entendeu? Agora vá ‘simbora’ que já está me atrapalhando.

- Mas isso é um absurdo, eu sou um réu confesso! É muita irresponsabilidade! Um servidor público…

- Olhe, senhor… o negócio é o seguinte.

- Sim…

Pausa.

- Eu posso ajudar o Senhor.

- Como?

- Se o Senhor me ajudar. Entendeu?

- Quanto, seu Guarda?

- Cinquenta.

- Dentro da carteira de motorista tem cem. Tome, seu Guarda.

Pausa.

- Hmm… tudo OK na habilitação.

- (…)

- O senhor está liberado.

- Obrigado, seu Guarda! Tenha uma boa tarde!

- Igualmente, Senhor.

Centro do Recife, 12h48.

Buzinas. Muito calor. Trânsito intenso.

 

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IT

Recife, 21 de Novembro de 2009.

Um pouco de futurologia.

novembro 21, 2009

O lançamento do primeiro celular com Android da Claro, a divulgação para o mundo do código-base do Google Chrome OS e a certeza de que o Twitter é uma ferramenta poderosa.

Uma semana em três tempos. Uma semana especial em que ousei exercitar um pouco de futurologia.

1. Android: Usei e é fantástico. Simples, leve, intuitivo. É o sistema operacional da nova geração de smartphones. Cada vez com mais recursos e mais acessíveis aos consumidores. Ponto para a Motorola que, com o lançamento do Dext, dá clara demonstração de ressurgimento e nos deixa ansiosos pelas novidades que virão. Certeza de sucesso ainda este ano e explosão em 2010.

2. Google Chrome OS: Pelo que pude acompanhar, os imediatistas de plantão e a imprensa não especializada se decepcionaram. Não poderia ser diferente, os imediatistas não conseguem projetar o dia de amanhã. :) E o Google Chrome OS é o sistema operacional que antecipa nossos hábitos futuros e como será o ‘web-centered-world’. Mais, neste ótimo artigo do Louis Gray.

3. Twitter: Continuo me surpreendendo com o poder do Twitter. Finalmente, algumas empresas entenderam que é uma ferramenta de aproximação entre produto/serviço e o cliente. É uma ferramenta que antecipa tendências e joga na cara dos veículos de mídia tradicionais que as mudanças chegaram. É muito legal perceber pessoas, antes céticas, aderindo ao Twitter. E mais, empresas usando a ferramenta de forma criativa e inovadora. O Twitter é mobilidade pura.

Mas aí você me pergunta: ‘O que isto tem a ver com futurologia?’

Bom, se mesmo assim, depois de ler este artigo, você ainda duvida destas mudanças, é bom sentar no sofá e abrir seu jornal para ler as notícias de ontem.

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IT

Recife, 21 de Novembro de 2009.


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